Ricardo-Lewandowski

O aluno que quer ser ministro do supremo antes de passar na OAB

“Saber, ter, poder” .

Frase em que o grande pensador francês, Maurice Barrés, descreve as etapas da vida de um homem

Na primeira fase devemos adquirir conhecimento, investir em nossa formação
Na segunda fase, é quando através do conhecimento profissional adquirido começamos a trabalhar e a conquistar o poder econômico.

A terceira fase significa a conquista do poder de influenciar e participar da vida pública.

Muitas vezes me deparo em sala de aula com jovens de grande potencial. Inteligentes, engajados politicamente, moças e rapazes de interesses diversos, boa formação cultural, curiosos sobre os grandes temas da humanidade e ansiosos por transformações culturais e políticas em nossa sociedade.

São alunos que me enchem de orgulho, pois tem potencial para serem os líderes que nós precisaremos no futuro.

O que me preocupa por vezes, é perceber como esses meninos e meninas se dispersam no dia a dia de preparação e estudos voltados para suas carreiras profissionais.

Infelizmente, muitos deles ficam pelo caminho, algo lamentável e que me dá muita tristeza.

Esse talento muitas vezes é desperdiçado pela falta de disciplina e o desenvolvimento de uma ética de trabalho que os façam atingir plenamente seus potenciais.

Muitas vezes, alunos muito menos promissores na universidade, conseguem transcender suas limitações e constroem de forma inesperada grandes carreiras. Compensam suas limitações com muito suor, foco e dedicação.

Enquanto isso os teoricamente mais inteligentes desperdiçam grande parte do tempo em divagações sobre a sociedade perfeita e idealizações de como deveria ser o mundo jurídico e como deveria funcionar o poder legislativo. Muitos deles são muito mais criativos e inteligentes que nossos deputados e senadores, devo reconhecer.

Criticam filósofos, doutrinadores, decisões do supremo, muitas vezes com ótimos argumentos. Mas negligenciam a formação acadêmica e prática da profissão de advogado. Pois para muitos deles essa rotina é algo medíocre. Pessoas de ilustre iluminação intelectual não devem desperdiçar suas vidas com uma jornada de trabalho maçante e desinteressante, pensam esses jovens.

E aí o tempo passa. (E passa em um piscar de olhos!)

Quando menos se espera chega o temido exame da OAB. E eles seguem pensando, “É um exame tranquilo, só não passa quem é burro.”

E chega a primeira reprovação...

O discurso muda um pouco... “Acertei 35 questões sem estudar, no próximo eu passo com os pés nas costas.”

E chega a segunda reprovação...

Agora ele se sente um pouco mais pressionado por ver seus amigos que já passaram no exame tendo boas oportunidades no mercado, sendo efetivados como advogados em bons escritórios.

Isso vai despertando sentimentos em nosso “jovem doutrinador” que ele nunca experimentou.

Angústia, inveja, frustração... Tudo isso vai minando aquela pessoa que antes demonstrava imenso potencial. Ela vai se tornando amarga e rancorosa.

Algumas dessas pessoas conseguem dar a voltar por cima e começam a recuperar o tempo perdido, outras, após terem seus sonhos destroçados pela realidade que se impõe e ficam com a autoestima extremamente abalada. A arrogância começa a dar lugar à depressão.

É quando chega a terceira reprovação e aquele amigo que ele considerava medíocre está sendo promovido e agora começa a comandar uma equipe em um escritório renomado.

Alguns entram em outra universidade enveredando para outra profissão, outros simplesmente aceitam as migalhas que a vida lhes oferece.

E o que antes era uma alegre promessa se torna uma massacrante realidade.
O tempo é uma máquina de destruir sonhos.

Não os escrevo hoje como professor de Direito, falso profeta ou consultor de carreiras, tampouco como Guru profissional.

Acho muito importante que se preocupem com os problemas do nosso tempo, jamais faria apologia da ignorância.

Apenas peço encarecidamente que se dediquem também aos estudos diários. Uma carreira sólida é construída de forma lenta e contínua, um dia após o outro.

Me corta o coração ver um talento desperdiçado, especialmente quando vítima e algoz são a mesma pessoa.

Prof. Felipe Torres.
Fundador do Curso Direito Civil OAB.

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